17 de fev. de 2009

Nos últimos tempos tenho criado teorias pessoais para aquelas coisas que não dão muito certo na vida. Já culpei o final do ano, já pensei em inferno astral pré-aniversário e já maldisse os anos ímpares. Tudo isso é um bando de besteira. Existem alguns textos, livros ou músicas que conseguem ter um efeito devastador em mim – no bom e no mau sentido. Clarice Lispector é um deles. A maneira que essa mulher escreve e narra devaneios psicológicos é algo que mexe com cada fio de cabelo da minha cabeça. E me influencia no modo de ver o mundo e na minha forma de escrever. Há tempos que não a visito. Essa semana, realizei uma belíssima aquisição. Do tipo que balança a nossa vida e que dá vontade de mostrar para todo mundo poder conhecer também. O Olho da Rua, mais novo livro da jornalista gaúcha Eliane Brum, é uma coletânea com as dez melhores reportagens dela realizadas para a Revista Época. Todas vêm com textos da Eliane, comentando os “bastidores das notícias”. O livro tem uma história, entre várias outras ótimas,que me chamou especial atenção. O inimigo sou eu. Uma reportagem na qual a jornalista passou dez dias em um retiro de meditação Vipassana.Algumas frases são muito bem feitas e eu quero compartilhar aqui com vocês:
“A idéia básica está presente em diferentes linhas do budismo: o que nos faz sofrer é o apego. Na vida, o apego se manifesta por uma reação de cobiça ou aversão. Queremos continuar sentindo o que nos dá prazer e não aceitamos sentir o que nos causa algum tipo de dor. Se aprendermos a arte do desapego – ou seja, não cobiçar o prazer nem sentir aversão pela dor –, a fonte do sofrimento estanca. Para isso, precisamos compreender que a vida é impermanência. Que nada dura, nem o prazer nem a dor.”
Essa história me lembra um pouco o filme O Curioso Caso de Benjamin Button, a linda e original história de amor, que tem como antagonista o tempo. Ele nos mostra o óbvio, sem ser óbvio:A vida é efêmera e impermanente. A perfeição, na verdade, não existe. E a busca por ela faz com que nós nos percamos na não-apreciação do presente imediato. Isso só traz o sofrimento.
Por que comecei falando das teorias pessoais e da Clarice no começo, se queria falar apenas de um livro? Bom, o meu propósito aqui é dizer que eu estava enganada a respeito de algumas coisas pelas quais vinha surtando nos últimos tempos. Tenho certeza que esse ano, apesar de ímpar, vai ser marcante e decisivo na minha vida. Quero fazer dele um acúmulo de fatos inéditos. Até o momento,está tudo ao contrário,mas tudo bem...Até dezembro eu consigo inverter a situação! E, especialmente hoje, agradeço à Eliane Brum por esse livro (E me culpo de não tê-la conhecido antes, pelo simples folhear de uma revista).E vá a napoli todo o papo de objetividade e imparcialidade jornalística:
“Nossa época acredita que é possível viver sem sentir nenhum tipo de dor, física ou psíquica. Não ter dor se tornou quase um direito. Basta uma pontada na cabeça, que já corremos a tomar uma pílula. Basta uma tristeza real, para que imediatamente nos ofereçam um antidepressivo. Não queremos menstruar nem ter dor de parto, qualquer desentendimento com o chefe acaba com nosso dia, desistimos de um amor no primeiro percalço, por acreditar que merecemos a felicidade eterna. Não podemos nem sentir calor ou frio, para isso há ar-condicionado. Parece que não queremos é viver.”

15 de fev. de 2009

"Não faz disso esse drama, essa dor! É que a sorte é preciso tirar pra ter..."
Sabe aqueles dias,em que você pára,olha pra si mesmo e pensa:"Tá tudo errado!".Pois é...TÁ TUDO ERRADO!!!

14 de fev. de 2009

"
O que nunca pensei é que, pudesse ser assim tão vazia uma casa sem um anjo. Dentro de mim, existe alguma coisa que espera a sua volta,de repente,não sei se pela janela ou se aparecerá novamente no mesmo lugar. Para prevenir surpresas, tenho deixado sempre abertas todas as janelas e todas as portas.Não,meu bem, não adianta bancar o distante:Lá vem o amor nos dilacerar de novo...Tento me concentrar numa daquelas sensações antigas, como alegria, ou fé, ou esperança.Mas só fico aqui parada, sem sentir nada, sem pedir nada, sem querer nada.Durante algum tempo, fiz coisas antigas como chorar e sentir saudade, da maneira mais humana possível:Fiz coisas antigas e humanas como se elas me solucionassem.Não solucionaram...Doem as perdas para sempre perdidas, e portanto irremediáveis, transformadas em memórias iguais, pequenos paraísos-perdidos.Minha alma tem o peso da luz.Tem o peso da música.Tem o peso da palavra nunca dita,prestes quem sabe a ser dita.Tem o peso de uma lembrança.Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor.Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse ao meu encontro...Mas é preciso estar com as sete portas abertas, para saber quando as coisas se modificam.Dentro daquela saudade que não ia embora por mais que o tempo passasse, e dentro dela, mesmo sem lembrar, apenas agindo, todos os dias eu acordava e tomava banho, escovava os dentes e fazia todas essas coisas rotineiras, igual a alguém que aos trancos, mecanicamente, continua a viver...Embora ausente, ainda doem - Sem poder evitar, inesperadamente, sem querer evitar!Só quero ir indo junto com as coisas, ir sendo junto com elas, ao mesmo tempo, até um lugar que não sei onde fica, e que você até pode chamar de morte, mas eu chamo apenas de porto.Não vou perguntar porque você voltou,acho que nem mesmo você sabe...Eu também não queria perguntar,pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão,mas não é,sei que não é,você também sabe,pelo menos por enquanto,talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que um silêncio basta?É preciso encher o vazio de palavras,ainda que seja tudo incompreensão?Só vou perguntar porque você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto.E esquece sabendo que está esquecendo...Dá vontade de amar.De amar de um jeito "certo", que a gente não tem a menor idéia de qual poderia ser, se é que existe um.Porque fé, quando não se tem, se inventa,... Para pedir, mesmo em vão, porque pedir não só é bom, mas às vezes é o que se pode fazer quando tudo vai mal... Deus, põe teu olho amoroso sobre todos os que já tiveram um amor sem nojo, nem medo, e de alguma forma insana esperam a volta dele:Que os telefones toquem, que as cartas finalmente cheguem...Sobre todos que continuam tentando por razão nenhuma —Sobre esses que sobrevivem a cada dia, ao naufrágio de uma por uma das ilusões...Não que fosse amor de menos(...)Era amor demais!Dói muito, mas eu não vou parar. A minha não-desistência é o que de melhor posso oferecer a você e a mim neste momento. Pois isso, saiba, isso que poderá me matar, eu sei, é a única coisa que poderá me salvar. Um dia entenderemos talvez!Encontrei o amor. Ele não é real, mas que se há de fazer? A gente não pode ter tudo na vida...E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.Uma frase, um verso qualquer, capaz de fazê-lo erguer a cabeça e olhar direto para mim.Reconheci as canções que você não ouviu. Escrevi cartas que nunca foram enviadas. Ouvi suas palavras não ditas.Principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos(. . .)alguém diria "telefone-para-você" e do outro lado da linha... Aquela voz conhecida, diria:"Sinto-falta-de-você-volta-pra-mim".Mas,isso nunca aconteceu.Hoje tomaria um porre de conhaque com você.Um porre lúcido. Fomos FEITOS para tomar porres um com o outro.Queria dizer alguma coisa, que faria você largar tudo e vir correndo me ver.
Porque o mundo apesar de redondo, tem muitas esquinas...Venha quando quiser, ligue, chame, escreva -Tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim."