
Você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser:Até o fim de sua vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido:As coisas não voltarão a ser mais as mesmas, e você próprio já não será o mesmo.Lembrei que tinha lido em algum lugar, que a dor é a única emoção que não usa máscara. Não tenho dor, mas aquela coisa daquela hora, que a gente estava sentindo, e eu nem sei se era alegria, também não usava máscara.Então pensei devagar que era proibido ou perigoso não usar máscara...Foi quando eu senti, mais uma vez, que amar não tem remédio!Vai passar,tu sabes que vai passar.Talvez não amanhã,mas dentro de uma semana, um mês ou dois,quem sabe?O verão está aí,haverá sol quase todos os dias,e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital".Pois esse impulso ás vezes cruel,que não permite que nenhuma dor insista por muito tempo,te empurrará quem sabe para o sol,para o mar,para uma nova estrada qualquer e,de repente, no meio de uma frase ou de um movimento, te surpreenderás pensando algo assim como
¨Estou contente outra vez¨...
Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não de você..Se sempre foram de ternura nossas conversas e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces.Por que então assim tão de repente e duro, por que?Não,você não sabe, você não sabe como tentei me interessar, pelo desinteressantíssimo!Tenho a impressão que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de estar aqui.Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei, de não perturbar o seu equílibrio-Que é muito delicado. E também, de não perturbar o meu próprio equilíbrio - Que é tão ou mais delicado.Você sabe que de alguma maneira a coisa esteve ali, bem próxima. Que você podia tê-lo tocado. Você poderia tê-lo apanhado. No ar, que nem uma fruta. Aí volta o soco. E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim: Mas de quem foi o erro?Repito sempre:"
Sossega,sossega...O amor não é para o teu bico!"
Sem conseguir dizer, nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor.Engraçado, não gosto do meu quarto,das paredes, dos móveis, mas gosto demais das coisas que posso ver pela janela. Das coisas que estão fora dele, porque o que está aqui dentro eu acho muito parecido comigo.E eu não gosto de mim.Mesmo assim, bem no fundo, há coisas que são só minhas. E embora me assustem às vezes, é delas que mais gosto. Como essa vontade de acabar com tudo, que me dá de vez em quando.As palavras traem o que a gente sente!Sempre acabo me entristecendo com as coisas que escrevo.As verdades,porque as mentiras não entristecem.Não sei se será possível à gente escolher as próprias verdades, elas mudam tanto. Não só por isso, nossas verdades quase nunca são iguais às dos outros, e é isso que gera o que chamamos de solidão, desencontro, incomunicabilidade.Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas que são bonitas...