27 de fev. de 2009

Pela janela, do lado de fora, passava-se de tudo: Pessoas, Cidades, Placas, Carros, Casas, Ruas, Árvores, Pedágios, Acidentes, Congestionamentos. Mas a única coisa que ela conseguia ver, era um céu resplandecente de fim de outono do lado de fora. Cochilava por um tempo e logo abria os olhos, e isso era a única coisa que via: Um céu resplandecente de fim de outono do lado de fora,momentaneamente serena, porque não havia outro jeito, se tudo já havia sido tentado, paciência."Ainda não foi desta vez",matutava. Do lado de dentro, apenas um silêncio. Aqueles silêncios de salas de espera, elevadores, funerais, despedidas.Sempre teve medo do silêncio, que fica depois de coisas mal acabadas, deixando a vida delicada demais, pesadamente delicada e silenciosa. Ela sabe que, é preciso muita paciência pra aprender a se movimentar dentro do silêncio do tempo, sem aquela sensação de amargura, de fracasso, de perda, de "pronto-acabô". Por alguns momentos sentia como se houvesse assim, uma espécie de esperança, alguma possibilidade de ser feliz,o que era quase obsceno, pois sempre viveu como se tivesse sempre a obrigação de ter sido ou tentado ser outra pessoa, com atitudes e sentimentos totalmente contrários aos dela. E aos poucos, começava a perceber que a dor existia, que uma hora ela sempre aparece e parece que nunca mais vai embora. Viajar, esquecer, romper os laços.Queimar os documentos, sair pelo mundo com uma mochila, sem deixar endereço, em busca de si mesma no melhor estilo "Into the Wild", ela tem assim, uma certa u-r-g-ê-n-c-i-a em substituir o que foi perdido.Porque não é capaz de deixar as coisas irem acontecendo. U-r-g-ê-n-c-i-a de reinventar cada encontro e apagar todos os desencontros, de vislumbrar o amor, as coisas simples, de viver com toda a sua perfeita e inconstante humanidade exposta, sem se preocupar com o mundo lá fora. Ela tem u-r-g-ê-n-c-i-a no olhar, porque sente que a existência é meiga, bela, porém sofrida e volátil. Ela ri de si mesma,poucos são capazes de rir de si mesmos, da sua personalidade melancólica-sentimentalóide,e dessa aflição de sempre querer muito o que não se pode ter. Enquanto olhava pela janela, do lado de fora,onde passava-se de tudo, do lado de dentro ela fazia uma oração.
Silêncio. Ela cochilou outra vez. Ao despertar, olhou pela janela e do lado de fora, o ponto de chegada. Calada, olhava para si mesma sem dizer nada, tentando não olhar para as circunstâncias, tentando acreditar que essa u-r-g-ê-n-c-i-a, de viver logo tudo o que tivesse a viver não era um defeito, mas uma maneira de não deixar sobrar tempo, para pensar nas dores desse viver, nas dores de existir sozinha. Nunca pediu mais do que a vida lhe pudesse dar, assim como nunca ofereceu mais do que dispusesse.Teve sempre plena consciência da sua humanidade. Parada atrás da janela, ela tem medo, se comove, mas se move. Decide então descer. Aos poucos vai caminhando, aos poucos começa a perceber que a dor existe, que uma hora ela sempre aparece, mas que um dia precisa ir embora. E do lado de fora, ela segue caminhando sob o céu resplandecente de fim de outono,sem dever absolutamente nada a ninguém, sem exigências, sem solicitações, mas com uma enorme admiração por si mesma...Pois sabe que o que tem, é seu.

25 de fev. de 2009

Aqui neste porto-não-seguro sem mar onde me refugio não adianta gritar HELP, compreende? É verão, muito calor, fico imprestável. Caminho muito, mas não vou a lugar algum. Não sou do tipo socialmente aceitável, talvez eu seja SOMETHING BETWEEN. Celine de “Before Sunset” e Charlotte de “Lost in Translation”. Há quase dois meses coloquei como papel de parede do computador uma imagem do “Eternal Sunshine” com aquela frase “You can erase someone from your mind. Getting them out of your heart is another story…”. Não sei por que andei tão obcecada por esse filme.Sem falar naquelas pessoas que insistem em apresentar um amigo-da-amiga-do-amigo-da-amiga que é “tua cara”. ANYWAY, voltando ao filme, nunca consigo ERASE SOMEONE da minha mente, muito menos do coração. IT SUCKS, mas tem gente que consegue estar presente em todos os acontecimentos e não-acontecimentos da minha pseudo-vida, mesmo depois de eu ter proibido – Imagina – qualquer espécie de pensamento, referência, rastro, qualquer coisa que me faça pronunciar – mesmo mentalmente – THAT PERSON. Ultimamente ando assim, com uma espécie de (???) sei lá, uma tristeza meio chinfrim, uma aceitação anêmica… Por que será que de repente ficou tão difícil respirar? Deve ser porque quando respiro profundo, ainda me dói aquele tumor em metástase conhecido como saudade. Eu só sei de uma coisa: Sentiria sua falta mesmo que nunca o tivesse conhecido. Mas tudo bem,quando penso em me jogar pela janela ouço Eddie Vedder cantando “Alive” e algo bom acontece.Ser desimportante é uma coisa muito péssima!

18 de fev. de 2009

Você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser:Até o fim de sua vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável. Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido:As coisas não voltarão a ser mais as mesmas, e você próprio já não será o mesmo.Lembrei que tinha lido em algum lugar, que a dor é a única emoção que não usa máscara. Não tenho dor, mas aquela coisa daquela hora, que a gente estava sentindo, e eu nem sei se era alegria, também não usava máscara.Então pensei devagar que era proibido ou perigoso não usar máscara...Foi quando eu senti, mais uma vez, que amar não tem remédio!Vai passar,tu sabes que vai passar.Talvez não amanhã,mas dentro de uma semana, um mês ou dois,quem sabe?O verão está aí,haverá sol quase todos os dias,e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital".Pois esse impulso ás vezes cruel,que não permite que nenhuma dor insista por muito tempo,te empurrará quem sabe para o sol,para o mar,para uma nova estrada qualquer e,de repente, no meio de uma frase ou de um movimento, te surpreenderás pensando algo assim como ¨Estou contente outra vez¨... Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não de você..Se sempre foram de ternura nossas conversas e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces.Por que então assim tão de repente e duro, por que?Não,você não sabe, você não sabe como tentei me interessar, pelo desinteressantíssimo!Tenho a impressão que a vida, as coisas foram me levando. Levando em frente, levando embora, levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de estar aqui.Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei, de não perturbar o seu equílibrio-Que é muito delicado. E também, de não perturbar o meu próprio equilíbrio - Que é tão ou mais delicado.Você sabe que de alguma maneira a coisa esteve ali, bem próxima. Que você podia tê-lo tocado. Você poderia tê-lo apanhado. No ar, que nem uma fruta. Aí volta o soco. E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim: Mas de quem foi o erro?Repito sempre:"Sossega,sossega...O amor não é para o teu bico!" Sem conseguir dizer, nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor.Engraçado, não gosto do meu quarto,das paredes, dos móveis, mas gosto demais das coisas que posso ver pela janela. Das coisas que estão fora dele, porque o que está aqui dentro eu acho muito parecido comigo.E eu não gosto de mim.Mesmo assim, bem no fundo, há coisas que são só minhas. E embora me assustem às vezes, é delas que mais gosto. Como essa vontade de acabar com tudo, que me dá de vez em quando.As palavras traem o que a gente sente!Sempre acabo me entristecendo com as coisas que escrevo.As verdades,porque as mentiras não entristecem.Não sei se será possível à gente escolher as próprias verdades, elas mudam tanto. Não só por isso, nossas verdades quase nunca são iguais às dos outros, e é isso que gera o que chamamos de solidão, desencontro, incomunicabilidade.Coisas assim, algumas ferem, mesmo essas que são bonitas...