6 de dez. de 2008

"Não consigo ver mais que isso: essa é a lembrança. Além dela, nós conversamos durante muito tempo na chuva, até que ela parasse, e quando ela parou, você foi embora. Além disso, não consigo lembrar mais nada, embora tente desesperadamente acrescentar mais um detalhe, mas sei perfeitamente quando uma lembrança começa a deixar de ser uma lembrança para se tornar uma imaginação. Talvez se eu contasse a alguém acrescentasse ou valorizasse algum detalhe, assim como quem escreve uma história e procura ser interessante - seria bonito dizer, por exemplo, que eu sequei lentamente seus cabelos. Ou que as ruas e as árvores ficaram novas, lavadas depois da chuva. Mas não direi nada a ninguém. E quando penso, não consigo pensar construidamente, acho que ninguém consegue. Mas nada disso tem nenhuma importância, o que eu queria te dizer é que chegando na janela, há pouco, vi a chuva caindo e, atrás da chuva, difusamente, uma roda-gigante. E que então pensei numas tardes em que você sempre vinha, e numa tarde em especial, não sei quanto tempo faz, e que depois de pensar nessa tarde e nessa chuva e nessa roda-gigante, uma frase ficou rodando nítida e quase dura no meu pensamento. Qualquer coisa assim: depois daquela nossa conversa - depois daquela nossa conversa na chuva, você nunca mais me procurou."(Caio F.)
"Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você, ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim! Até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que, no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?"

2 de dez. de 2008

“Os laços que nos unem às vezes são impossíveis de explicar. Eles nos conectam até mesmo quando os laços deveriam ser quebrados. Alguns laços desafiam a distância…tempo…e lógica.Porque alguns laços são simplesmente…O que eles são” .
Não é isso,Mary?É engraçado e perplexo...Porque não há nada mais chocante do que saber que alguém nos ama apesar de nós mesmos.Obrigada por tudo!POR VOCÊ FARIA ISSO MIL VEZES!!!Minha gratidão e meu amor eterno,são pra você!
Existe sempre alguma coisa ausente, um vazio, um buraco, um hiato, um silêncio. Sentimos uma imensa, profunda falta de alguma coisa que não sabemos o que é. Seria alguém? Alguma coisa que perdemos pelo caminho? Um segredo? O tempo que passou? Os anos que não voltam mais?
Alguma coisa sempre faz falta, mas não sabemos o que é. Só é possível saber que essa ausência dói, machuca demais – dia após dia – sem remédio nem cura. Seria a dor dessas intermináveis esperas, desses chamados que não chegaram e quando vinham nunca traziam nem a palavra e nem a pessoa esperada? Ou a dor de saber que algumas coisas temos que viver e aprender de novo, e de novo, e de novo?
Talvez esse vazio não seja nada mais que a verdade, quando descobrimos que nada foi como esperávamos ou planejamos. Quando não sabemos quem ou o que realmente somos. Queremos sempre acreditar que existe apenas uma versão da verdade, contada por nós mesmos. Mas daí surge alguém que insiste em dar sua versão. A verdade é… há diversos tipos de verdades:A verdade encoberta,a verdade nua e crua.Meias verdades,verdades completas.Verdades brandas,verdades avassaladoras.E a verdade que dói!E essa verdade nós nunca queremos ouvir. A grande verdade é que somos todos comuns e sozinhos,e isso dói.
“Acho que há excesso de palavras faladas no mundo porque as pessoas temem em se ouvir, caso silenciem. Minha teoria pessoal é que falam por medo do que o silêncio pode revelar sobre elas. Ou falam para encobrir o fato de que não têm nada a dizer.” (Eliane Brum in “O Olho da Rua”)